• Rafael Sanson

Crises! Brasil nasceu assim.

Trouxe breve relato das histórias das crises econômicas do Brasil. E os ciclos históricos se repetem mas não se resolvem. Fica a dica desta semana.


Neste post foi estudado e pesquisado as principais crises que o Brasil enfrentou e as consequências anteriores a ela e a posteriori. Acredito que tenha ficado bem didático o entendimento e a explicação abaixo. Para tal será estamos em uma! Como podemos sair.


Esta é uma lista de crises econômicas, financeiras e monetárias brasileiras. A economia do Brasil sempre foi caracterizada por instabilidade. Contudo, elenca os períodos de desajuste econômico mais significativos

e que tiveram impacto em todo ou em grande parte do território nacional.


As listas a seguir distinguem a origem de determinada crise entre interna e externa. As crises internas tiveram início no território nacional, enquanto as externas foram consequências locais de crises que tiveram início em outro país. Porém, essa distinção é uma simplificação, já que várias crises têm fatores tanto endógenos quanto exógenos.


Antes da Independência

Durante o Governo de André de Melo e Castro houve Epidemia de sarampo entre os escravos em 1745. Segundo a "lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" no ano 1745, no Cartório dos Jesuítas, houve um grande prejuízo em "todos os engenhos e escravaturas do Brasil", devido a "uma epidemia universal que chegou a todos vinda em um navio de negros da Costa da Mina, a todos causou estragos perdas e despesas da economia". Crise interna com a Epidemia de Sarampo.

Com o esgotamento das jazidas de ouro e de outros metais preciosos, encerrando o ciclo do ouro. Durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia, como o ouro, e, antes disso, o açúcar. Após o fim do ciclo do ouro, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos.

Isso é denominado de Decadência da mineração que foi ao fim do séc. XVIII, lembrem que nessa época Dom João VI estava por aqui e houve o estopim para a Independência com Pedro I.

Durante a crise, o poder de compra da população era bem menor do que na fase áurea da mineração. Foi uma crise longa, que só terminaria no século seguinte, durante o período regencial (1831-1840), com a ascensão do café.


Independência... Nossa terra Brasil!!!! Independência ou Morte!

Nascemos com dívida. Ocorreu, em 1822, quando D. Pedro I proclamou a independência, ou seja, o país já nasceu marcado pelo desafio da superação.

Nessa época, o Brasil vivia uma profunda crise econômica, já que na década de 1820, as exportações de açúcar estavam em baixa, e o governo foi obrigado a fazer empréstimos na Inglaterra para indenizar Portugal pela Independência e financiar a Guerra da Cisplatina. Porém como em toda crise surgia uma oportunidade: os fazendeiros modificaram sua gestão financeira e passaram a apostar na exportação de café para voltar a movimentar a economia nacional. E deu certo!

Mas tivemos crises entre 1857 e 1873 relacionadas ao sistema de crédito e às emissões de moeda sem lastro em ouro. Simultaneamente às crises monetárias, em 1857, os preços do café (principal exportação brasileira) caíram no mercado internacional devido a uma crise internacional. As vendas de café caíram de 2,0 para 1,8 milhões de sacas no ano seguinte. Governo de Dom Pedro II.

Logo ali em 1875 nova crise financeira caracterizada por grande déficit nas contas públicas. O governo retirou 20% do dinheiro circulante do país. A crise foi agravada por uma seca nordeste dois anos depois.

Sucumbiu a Monarquia e então proclamamos a República!!

Na época de Manuel Deodoro da Fonseca, Floriano Vieira Peixoto, Com o fabuloso Ruy Barbosa sendo nosso ministro da fazenda, assinou um decreto, em 1890, que permitia que estabelecimentos bancários emitissem dinheiro. A razão para a medida era que a quantidade de dinheiro no país não era suficiente para atender às necessidades de expansão da agricultura e da indústria, tempo do Barão de Mauá (história inspiradora), além de haver mais trabalhadores assalariados a serem pagos desde o fim da escravidão. Com a medida, a quantidade de dinheiro no país triplicou de 1889 a 1891. Mas a euforia financeira gerada ultrapassou em muito a capacidade produtiva do país gerando a crise de encilhamento (bolha de crédito). Como consequência, houve uma grande quantidade de falências e um enorme processo inflacionário.

Passamos e o tempo passou!

Chegou a famosa Grande depressão

A Grande Depressão de 1929 teve graves impactos na produção de café no Brasil, que era o principal produto exportado. Nessa época, várias toneladas de café foram queimadas para controlar os preços e acabar com os estoques. Foi uma crise externa que Getúlio Vargas põe fim a Velha República depondo Washington Luiz do cargo de presidente. Essa crise externa caracterizou a quebra da bolsa de Nova York, a economia brasileira sofreu um forte impacto. Os principais países compradores do café brasileiro deixaram de comprá-lo. Neste momento o governo de Vargas fez uma aposta arriscada e começou a investir na criação da infraestrutura para o desenvolvimento da indústria no Brasil. Mais um gol marcado. O planejamento financeiro deu certo e o processo de industrialização do país ocorreu nas décadas de 1940 e 50.

Em 1971 então houve o fim do padrão-ouro foi um evento que alterou a geografia econômica e política mundial. A partir desse choque, o Dólar americano seria o lastro de todas as economias mundiais, tornando todas as moedas fiduciárias e de cunho forçado, lastreadas apenas em títulos da dívida americana, deflagrando os choques do petróleo.


Por sua vez então falamos do petróleo houve a crise que foi uma reação provocada pelo embargo dos países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e Golfo Pérsico de distribuição de petróleo para os Estados Unidos e países da Europa. Num contexto de déficit de oferta, com o início do processo de nacionalizações e de uma série de conflitos, como a guerra dos Seis Dias (1967), a guerra do Yom Kipur (1973), a revolução islâmica no Irã (1979) e a guerra Irã-Iraque (a partir de 1980), além de uma excessiva especulação financeira. Os preços do barril de petróleo se elevaram, deflagrando prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa, desestabilizando a economia mundial.

Se não bastasse tudo isso aqui no Brasil o governo do general Ernesto Geisel, empolgado com a prosperidade dos anos anteriores, fez vários empréstimos nos Estados Unidos. Porém, o governo norte-americano aumentou a taxa de juros, elevando muito o valor da dívida. Na mesma época, a inflação disparou. Ocorria então a pior crise financeira da história do país, que se arrastou por toda a década de 1980. A década perdida refere-se aos anos 1980, após o fim da ditadura militar. Foi uma época de estagnação do produto interno bruto do Brasil, inflação elevada e crise do endividamento externo.


Para piorar, entre 1990 e 1992, o Brasil foi alvo de mais uma crise: Plano Collor, que ficou marcada por um profundo momento de recessão econômica e agravamento da crise. O cenário só foi revertido em 1994, quando o Plano Real finalmente conseguiu estabilizar a economia, mas a um custo muito alto. Os juros foram elevados e ocorreu a privatização de empresas públicas para manter a moeda valorizada.


Em janeiro de 1999, o Banco Central promoveu uma grande desvalorização do real, também conhecida como "efeito samba", quando o Banco Central abandonou o regime de bandas cambiais, passando a operar em regime de câmbio flutuante. o que provocou a quebra de bancos e um período de estagnação econômica que só foi revertido a partir de 2004, quando se iniciou um processo de fortalecimento do mercado interno, abrindo um ciclo de crescimento no governo Lula.


Não durou muito, em 2006, internamente houve o mensalão que abalou internamente a economia e a crise financeira global de 2007–2008 teve início nos Estados Unidos com bolha de crédito gerada por hipotecas e subprimes. Os efeitos dessa crise levaram tempo para ser sentidos no Brasil.

E ainda em 2014, no governo Dilma Roussef e Michel Temer, crise política-econômica, também conhecida como a "grande recessão brasileira", foi uma profunda e duradoura crise econômica, sendo caracterizada por recessão por dois anos consecutivos (2014-2015) e por sua longa e lenta recuperação (2016-2017), a mais lenta da história do Brasil.


E pra piorar crise causada pela Pandemia de COVID-19, em 2020, ainda sob os efeitos da crise de 2014, o país entra em nova crise devido à pandemia de COVID-19.


No momento que estou escrevendo e estudando sobre as crises econômicas saiu um relatório/estudo do Bank of America que o endividamento dos países está tão alto que formou uma bolha de liquidez que podemos ter uma nova crise mundial logo semelhante a de 1929 ou 2008.


Referências


"Lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" de Linhares , Cartório dos Jesuítas, mç. 15, n.º 25, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal

«A evolução cultural do império». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1652

«A grande crise da Independência». desafios.ipea.gov.br. Consultado em 18 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 18 de outubro de 2020

«História - Império de crises». www.ipea.gov.br. Consultado em 16 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2019

«A evolução econômica da primeira república». Enciclopédia Delta de História do Brasil. [S.l.]: Editora Delta S/A. 1969. p. 1795

Comércio, Jornal do. «Crise acaba com era de ouro do café no Brasil». Jornal do Comércio. Consultado em 16 de outubro de 2020

Ometto, Ana Maria H.; Furtuoso, Maria Cristina O.; Silva, Marina Vieira da (outubro de 1995). «Economia brasileira na década de oitenta e seus reflexos nas condições de vida da população». Revista de Saúde Pública (5): 403–414. ISSN 0034-8910. doi:10.1590/S0034-89101995000500011. Consultado em 18 de outubro de 2020

«G1 explica a inflação». g1.globo.com. Consultado em 19 de outubro de 2020. "No Brasil, a hiperinflação ocorreu nos anos 80 e início dos anos 90, [...]"

Giselle Garcia (15 de maio de 2016). «Entenda a crise econômica». Agência Brasil. Consultado em 6 de fevereiro de 2018

Carvalho, Laura (2018). Valsa brasileira: Do boom ao caos econômico. [S.l.]: Editora Todavia S.A. pp. 144–145. ISBN 9788593828638

de Castro, Fabrício (30 de março de 2020). «Pela primeira vez, boletim Focus, do BC, prevê retração no PIB deste ano». Estadão. Consultado em 29 de abril de 2020

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