• Rafael Sanson

Ensino Híbrido: uma Inovação Disruptiva? Uma introdução à teoria dos híbridos



As indústrias frequentemente experimentam um estágio híbrido quando estão em meio a uma transformação disruptiva. Um híbrido é uma combinação da nova tecnologia disruptiva com a antiga tecnologia, e representa uma inovação sustentada em relação à tecnologia anterior. Por exemplo, a indústria automobilística desenvolveu vários carros híbridos ao longo de sua transição dos motores movidos a gasolina para fontes alternativas de energia.

Inovações híbridas seguem um padrão distinto. Há quatro características de um híbrido:

1. Ele apresenta tanto a nova quanto a antiga tecnologia, enquanto uma inovação puramente disruptiva não oferece a tecnologia anterior em sua forma plena.

2. Ele busca atender aos clientes já existentes, em vez dos não-consumidores — ou seja, aqueles para os quais a alternativa ao uso da nova tecnologia seria não utilizar nada.

3. Ele procura ocupar o espaço da tecnologia pré-existente. Como resultado, a obrigação de se atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes existentes é bastante alta, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho pelo menos tão bem quanto o próprio produto anterior, se analisado pela definição original de desempenho.

Por outro lado, as empresas bem-sucedidas na implementação de inovações disruptivas geralmente assumem as capacidades da nova tecnologia como um dado e procuram mercados que aceitem a nova definição sobre o que é bom.

4. Seu uso tende a ser mais simples que o de uma inovação disruptiva. Ele não reduz significativamente o nível de renda e/ou conhecimento necessários para comprá-lo e operá-lo. Uma característica importante é que, em mercados onde não há não-consumidores, uma solução híbrida é a única opção viável para uma nova tecnologia cujo desempenho é inferior à tecnologia anterior, de acordo com a definição original de desempenho. Isto significa que as inovações híbridas tendem a dominar em mercados de consumo pleno, em vez das disrupções puras.

Modelos híbridos de ensino

Em muitas escolas, o ensino híbrido está emergindo como uma inovação sustentada em relação à sala de aula tradicional. Esta forma híbrida é uma tentativa de oferecer “o melhor de dois mundos” — isto é, as vantagens da educação online combinadas com todos os benefícios da sala de aula tradicional. Por outro lado, outros modelos de ensino híbrido parecem ser disruptivos em relação às salas de aula tradicionais. Eles não incluem a sala de aula tradicional em sua forma plena; eles frequentemente têm seu início entre não-consumidores; eles oferecem benefícios de acordo com uma nova definição do que é bom; e eles tendem a ser mais difíceis para adotar e operar. Nos termos da recém-criada nomenclatura do ensino híbrido, os modelos de Rotação por Estações, Laboratório Rotacional e Sala de Aula Invertida seguem o modelo de inovações híbridas sustentadas. Eles incorporam as principais características tanto da sala de aula tradicional quanto do ensino online.

Líderes educacionais podem alimentar a inovação disruptiva de vários modos, incluindo seguir estes cinco passos: 1. Criar uma equipe na escola que seja autônoma em relação a todos os aspectos da sala de aula tradicional. 2. Focar os modelos disruptivos de ensino híbrido inicialmente nas áreas de não-consumo. 3. Quando estiverem prontos para expandir para além das áreas de não-consumo, procurar por alunos com menores exigências de desempenho. 4. Se comprometer em persistir no recente projeto disruptivo. 5. Introduzir políticas de incentivo à inovação.

No longo prazo, os modelos disruptivos de ensino híbrido se tornarão bons o bastante para atrair estudantes tradicionais do sistema existente para o modelo disruptivo. Eles apresentam novos benefícios — ou propostas de valor — com foco na: individualização; acesso universal e equidade; e produtividade. Ao longo do tempo, conforme os modelos disruptivos de ensino híbrido se aperfeiçoam, as novas propostas de valor serão poderosas o suficiente para prevalecer sobre aquelas das salas de aula tradicionais.

A inovação não é uma caixa preta. Uma série de padrões notavelmente consistentes oferece um caminho para que as pessoas olhem para o futuro e prevejam para onde as diferentes inovações nos levarão. O ensino híbrido permite que esses estudantes aprendam online ao mesmo tempo em que se beneficiam da supervisão física e, em muitos casos, instrução presencial.

Uma característica comum do ensino híbrido é que, quando um curso ocorre parcialmente online e parcialmente por meio de outras modalidades, como as lições em pequenos grupos, tutoria etc., tais modalidades estão geralmente conectadas. Os estudantes continuam o estudo de onde pararam quando trocam de uma modalidade para outra. Deste modo, recomendamos neste artigo o seguinte adendo à definição acima: As modalidades ao longo do caminho de aprendizado de cada estudante em um curso ou matéria são conectadas para oferecer uma experiência de educação integrada.


O FUTURO DO ENSINO HÍBRIDO

Os modelos de ensino que caem dentro da zona híbrida estão em uma trajetória sustentada em relação à sala de aula tradicional. Eles são usados para aperfeiçoar e oferecer melhorias sustentadas às salas de aula “industriais”, mas não para causar disrupção nelas. Para muitos líderes educacionais, a chegada dessas inovações é uma boa notícia. As escolas que lutam contra notas estagnadas, ou declinantes, e orçamentos apertados podem encontrar alívio na utilização das eficiências que modelos como a Rotação por Estações, Laboratório Rotacional e a Sala de Aula Invertida trazem ao sistema. A inovação sustentada é uma parte crucial para o sucesso de qualquer organização bem-sucedida. A história da inovação disruptiva, no entanto, mostra que os modelos disruptivos do ensino estão em uma trajetória diferente daqueles que caem dentro da zona híbrida. Eles vieram para substituir o modelo de sala de aula e tornarem-se os motores da mudança no longo prazo.

Conforme os modelos disruptivos de ensino híbrido começarem a transformar a educação, ao substituir a sala de aula tradicional, o papel fundamental das escolas tradicionais irá mudar. Suspeitamos que as escolas não serão mais a fonte primária de conteúdos e instrução e, em vez disso, se focarão em outras atividades principais como geração de conteúdo e encontros vivenciais para trocar experiências educacionais.


Amam – Ambiente de Aprendizagem Multiparadigmático.

Disponível na Internet em: http://www.labead.ufpa.br/amam. Acesso em: 19 fev. 2017.

Airasian, P.W. (1991). Classroom assessment. N.Y.: McGraw-Hill. Almeida, Eliana S., Costa, Evandro de B.; Silva, Klebson dos S.; Paes, Rodrigo de B.; Almeida, André Atanasio M.; BRAGA, Julian D. Herrera.(2002) “Ambap: um ambiente de apoio ao aprendizado de programação”. In: Anais do Workshop Sobre Educação Em Computação, Florianópolis.

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