• Rafael Sanson

Flex skills: habilidades para diferentes situações

Desenvolver competências que vão além do âmbito técnico e se aplicam tanto na vida profissional como na vida pessoal é cada vez mais importante.



Boa comunicação, empatia, adaptabilidade, capacidade de resolver problemas, automotivação. Em uma entrevista de emprego, nomear habilidades como essas faz toda diferença, afinal, mais do que profissionais com competências técnicas, organizações buscam por pessoas com habilidades socio comportamentais bem desenvolvidas.


Porém, não é só na vida profissional que essas qualidades fazem diferença. Na vida pessoal também. As chamadas flex skills – ou habilidades flexíveis – podem ser aplicadas em diferentes situações e âmbitos, representando grandes benefícios para quem as desenvolve.


A importância das flex skills

Graduação, domínio de outros idiomas, cursos técnicos e profissionalizantes: nada disso é suficiente para que um profissional seja considerado qualificado para ocupar uma vaga no atual mercado de trabalho. Isso porque, além das chamadas hard skills – como são conhecidas as habilidades técnicas – organizações contemporâneas buscam por profissionais que tenham também soft skills – habilidades socio comportamentais bem desenvolvidas.


Essa procura se acentuou ainda mais na pandemia, quando mudanças no esquema de trabalho, como a adoção de home office, exigiram dos profissionais competências que vão bem além de conhecimentos técnicos: envolvem habilidades de comunicação, inteligência emocional para lidar com problemas, motivação para manter a produção mesmo com todas as mudanças, empatia para entender as dificuldades do atual cenário, entre outras.


Contudo, embora muito se fale a respeito do desenvolvimento de competências para alcançar objetivos na vida profissional, a verdade é que muitas destas habilidades também podem ter grande impacto na vida pessoal. É o caso das flex skills, como são chamadas as competências que podem ser utilizadas nas relações de trabalho e também sociais e familiares.


“A principal diferença entre hard skills e flex skills é que hard skills são competências técnicas, que não necessariamente você precisa tê-las para empregá-las em sua vida pessoal. Já as flex skills são habilidades que podem ser usadas tanto na vida pessoal como profissional. Além disso, são mais difíceis de serem mensuradas”, explica a psicóloga Rosana Daniele Marques, gerente de recursos humanos da Crowe.


De acordo com ela, as habilidades flexíveis são extremamente importantes no cenário contemporâneo porque podem impactar significativamente e positivamente na vida das pessoas.


“Atualmente, vida pessoal e vida profissional se tornaram uma coisa muito próxima, difícil de separar, de delimitar. A pessoa não consegue ser uma coisa no trabalho e outra na sua casa, normalmente, os problemas e desafios se misturam. Então, desenvolver habilidades que podem nos favorecer em ambas as situações e cenários é muito positivo”, pontua Rosana.


6 flex skills que podem fazer a diferença

Para entender melhor sobre o assunto, a psicóloga Rosana Daniele Marques elaborou uma lista com seis flex skills que, se bem desenvolvidas, podem transformar a vida pessoal e profissional.


1. Comunicação

A comunicação faz parte do dia a dia das pessoas. Por isso, saber transmitir ideias e informações é uma habilidade que tem grandes impactos, tanto na vida pessoal como na vida profissional.

“Certamente, tendo uma boa comunicação com a família, com a sua rede de relacionamento e também tendo essa característica bem desenvolvida no ambiente de trabalho seus resultados serão melhores”, avalia a psicóloga.


2. Automotivação

Pessoas que têm a capacidade de se manter auto motivadas tanto na vida pessoal como na profissional conseguem solucionar mais problemas, superar mais desafios e empreender mais iniciativas do que pessoas que não têm essa habilidade tão desenvolvida, segundo Rosana Daniele Marques.

“A gente sabe que para conseguir fazer coisas na vida precisa gerar automotivação. E esse é um processo totalmente intrínseco, ou seja, cada um tem a sua forma de se auto motivar”, explica.


3. Capacidade de trabalho em equipe

Se engana quem pensa que a capacidade de trabalhar em equipe é uma habilidade a ser explorada somente no mercado de trabalho. Dentro do âmbito familiar e também no círculo social, essa habilidade pode ser aplicada e trazer muitos resultados.

“A pandemia trouxe um novo contexto, onde fica claro que a capacidade de trabalhar em time, seja na empresa ou com o grupo familiar, onde tem pai, mãe, irmãos, marido, esposa e filhos – é cada vez mais importante. Entender qual é a nossa capacidade de trabalho em equipe, o quanto a gente consegue agir de forma a gerenciar os conflitos com sabedoria, sabendo nos relacionar de maneira inteligente e como conseguir chegar no resultado que desejamos por meio de pessoas é uma habilidade bastante relevante”, pondera a gerente de recursos humanos da Crowe.


4. Adaptabilidade

Saber se adaptar às diferentes situações é uma das flex skills enumeradas pela psicóloga Rosana Daniele Marques como sendo superimportantes. Como exemplo, ela cita as mudanças trazidas pela pandemia, que exigiram adaptações no trabalho e também no ambiente familiar.

“Quanto mais adaptáveis formos, mais fácil é conseguir lidar com as mudanças. Estamos vivendo tempos de mudanças constantes. Além de todas as questões relacionadas às inovações tecnológicas, que impactam diretamente na vida profissional e nos obrigam a responder rapidamente, estamos enfrentando alterações em estruturas tradicionais por conta da pandemia. Um exemplo é a necessidade de home office e todas as situações que este modelo de trabalho traz”, pontua Rosana.


5. Capacidade de resolver problemas

“Pessoas que conseguem ter clareza e posicionamento frente aos desafios, problemas e dilemas, e, além disso, reconhecê-los e solucioná-los é bem-vista e bem-buscada no mercado de trabalho e na vida pessoal”, explica a psicóloga.


6. Liderança

Se engana quem pensa que a habilidade de liderar tem importância apenas no ambiente corporativo. Segundo a psicóloga Rosana Daniele Crowe, essa flex skill também tem impactos positivos na vida pessoal.

“No fim do dia, a liderança não é uma habilidade só de chefes e gestores, é também uma competência que pode ser ampliada e incorporada aos projetos pessoais. O quanto lideramos nossas iniciativas, buscamos engajar as pessoas que fazem parte do nosso convívio, do nosso círculo social, o quanto influenciamos as pessoas frente aos desafios, no mercado de trabalho, o quanto envolvemos a equipe e motivamos as pessoas… tudo isso tem a ver com liderança”, explica.


Como desenvolver as flex skills

Diferente das competências técnicas, as flex skills são habilidades mais complexas, intrínsecas às pessoas e que precisam ser desenvolvidas. Porém, cursos e certificados não são suficientes: elas são mais complicadas de serem ensinadas ou assimiladas e têm muito mais relação com o autoconhecimento.

“O primeiro passo para desenvolver as flex skills é entender e nomear os sentimentos e emoções que temos, identificar porque estamos irritados, o que originou esse estado, qual foi o gatilho… essa é a primeira etapa”, explica a psicóloga Rosana Daniele Marques.

De acordo com ela, a partir deste entendimento, torna-se possível administrar melhor as emoções e, desta forma, reagir de maneira adequada a um impulso.

“Você consegue entender que as emoções vêm e passam. O objetivo sempre vai ser tentar se recuperar rapidamente dessa emoção quando ela é negativa e gera estresse e ansiedade. Ao entender, nomear e compreender a origem dessa emoção é possível reendereçá-la, sem reagir instantaneamente”, pontua a gerente de recursos humanos da Crowe.


Para adquirir essa consciência, Rosana Daniele Marques recomenda práticas como meditação, autorreflexão e até mesmo contagem. “Contar até 10 e respirar fundo pode parecer clichê, mas é uma forma de ter o timing de entender o sentimento e a emoção e agir com reflexão”, justifica.


Apesar de diversificadas, essas práticas têm como objetivo ganhar autoconhecimento, que pode ser complementado ainda por materiais, pessoas, estudos, livros e séries. “Existem vários recursos que facilitam esse processo. Mas, de modo geral, para desenvolver as flex skills as pessoas devem perseguir o processo de entender, nomear e agir de maneira mais categórica sobre o sentimento, se propondo a não reagir espontaneamente e, sim, pensar sobre e depois agir”, finaliza.


Fonte: Consumidor Moderno


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