• Rafael Sanson

Piracicaba melhores para viver!

Atualizado: Abr 22

"Se tá ruim pra gente imagine para o resto"



Apesar da pandemia, cidades que investiram em sustentabilidade e educação conseguiram avançar no ranking que mede os desafios da gestão municipal


Nem a crise econômica de 2020, que veio a reboque da pandemia, foi capaz de retardar as obras de um dos maiores empreendimentos imobiliários em Maringá, cidade de 430 mil habitantes no interior do Paraná. Enquanto boa parte do país sentia os efeitos do desemprego, centenas de operários continuavam a trabalhar incessantemente na construção de um novo loteamento no município, o Eurogarden, próximo à região central. A construção, que caminha a todo o vapor, é um retrato da cidade.


O local deverá contar com o abastecimento de energia solar, reuso de água e reciclagem de lixo. A revitalização de mais de 20 mil metros quadrados de área verde já começou. O projeto é desenvolvido por um empresário local, Jefferson Nogaroli, fundador da Companhia Sulamericana de Distribuição, rede de supermercados que faturou 3 bilhões de reais em 2020 e emprega cerca de 3.000 pessoas na região de Maringá.


Desde junho, enquanto boa parte do país sofria com a suspensão da atividade econômica, o município vem registrando altas mensais consecutivas na criação de empregos. A cidade entrou em 2021 com quase 900 novos postos de trabalho. O salário médio, de cerca de 3.000 reais, também continou estável. As pessoas prezam pela qualidade de vida e há boa oferta de empregos.


Os bons resultados alcançados também em outras áreas centrais da gestão municipal colocaram Maringá na liderança do ranking Índice de Desafios da Gestão Municipal, da consultoria Macroplan, que avalia as 100 maiores cidades brasileiras. Juntas, elas concentram quase 83 milhões de habitantes, equivalentes a 40% da população brasileira, e 53,3% dos empregos formais. Este é o quinto levantamento da Macroplan, que leva em conta 15 indicadores de educação, saúde, segurança e saneamento básico. Veja o ranking completo.


Não é a primeira vez que a cidade ocupa a primeira posição no ranking: Maringá já foi campeã por duas edições consecutivas, em 2017 e 2018. Na última década, Maringá melhorou sua posição em saneamento e sustentabilidade, área em que saiu do 7º lugar para o 3º entre 2009 e 2019. Nos últimos cinco anos, foram direcionados cerca de 50 milhões de reais para melhorias no sistema de água e esgoto, que atende hoje 100% da população.

Os munícipios que forem proativos no sentido de criar políticas públicas de sustentabilidade, cada vez mais valorizadas pelas empresas e os cidadãos, estarão bem à frente das outras já no curto e médio prazo. A pandemia acelerou certas facilidades como o home office e cada vez mais gente está procurando cidades com boa qualidade de vida para morar.

Assim como Maringá, Jundiaí e Piracicaba, no interior de São Paulo, também tem feito avanços em saneamento e coleta de resíduos sólidos, garantindo lugar no topo do ranking da Macroplan. Com um índice de mortalidade infantil de 7,3 para cada cem mil habitantes, um dos mais baixos do país, a cidade se destaca pelos progressos na coleta de lixo e saneamento, que chega a todos 420 mil habitantes. Não é pouca coisa. Cerca de 100 milhões de brasileiros moram em locais onde não há coleta de esgoto e 35% não contam com água potável.

Depois de fazer a lição de casa, a cidade começou a olhar mais para o meio ambiente. Um trabalho recente de despoluição do rio Jundiaí, que corta a cidade, trouxe de volta peixes como o bagre e aves como as garças. A prefeitura lançou no final do ano passado um edital para um projeto de urbanismo em um trecho do rio que percorre o centro da cidade.

A intenção é transformar o local em um polo gastronômico e de lazer, como já fizeram cidades como Munique, na Alemanha, e Buenos Aires, na Argentina. Trata-se de aspectos importantes da gestão municipal que costumam chamar a atenção de profissionais qualificados, com recursos para gastar e investir.

A pandemia acelerou o fluxo de migração da capital para o interior paulista, com a possibilidade do trabalho remoto e cada vez mais gente em busca de qualidade de vida. O movimento, no entanto, não é novo. Nos últimos dez anos, as cidades de 100 mil a 1 milhão de habitantes cresceram em uma velocidade 50% maior do que a de grandes centros, segundo o IBGE. Uma pesquisa do portal de imóveis Zap+ mostra que 59% dos moradores de São Paulo e Belo Horizonte gostariam de mudar para uma cidade menor. No Rio de Janeiro, 67% das pessoas compartilham o mesmo desejo.


Trabalho remoto no interior

A tendência do home office vem motivando as empresas a criar vagas de trabalho remoto. Este ano, empresas como CI&T, de soluções digitais, e o Agibank, banco digital, lançaram mais de 500 vagas no modelo de trabalho flexível. A Heineken já anunciou que deve colocar seus 1.300 funcionários corporativos permanentemente em trabalho remoto: tanto faz o lugar onde moram, desde que entreguem um trabalho bem-feito.

É uma tendência mundial. Nos Estados Unidos, a ocupação dos escritórios já caiu 20%. "Hoje, a qualidade de vida é tão importante quanto ter um bom salário e contar com um bom atendimento de saúde”, diz Luiz Fernando Machado (PSDB), reeleito prefeito de Jundiaí.

Com um salário médio de 3.400 reais, diante dos 2.260 reais da média do país, Jundiaí tem atraído empresas e profissionais qualificados em busca de melhores empregos e qualidade de vida. Fortemente ancorada na indústria e serviços, a cidade tornou-se a sede de companhias como a sueca Sandvik Coromant, fabricante de ferramentas para a aviação civil e outros segmentos industriais.

Nas melhores cidades para morar do Brasil, o bom desempenho de vários indicadores socio-econômicos ajuda a tornar o município atraente para que vem mora ali ou vem de fora. Também no interior paulista, São José do Rio Preto tem avançado em indicadores relacionados à sustentabilidade e educação.

A cidade de 464 mil habitantes bateu a meta estabelecida pelo Ministério da Educação nas últimas seis edições do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), que mede o fluxo escolar e a média de desempenho dos alunos, em relação aos anos iniciais do ensino fundamental. O município alcançou a nota 6,7 em 2019 (acima da média nacional, de 5,9). A taxa de escolaridade para crianças entre seis e 14 anos ficou em 98%.


O abastecimento de água também melhorou: passou de 93,1% da população atendida em 2009 para 96% em 2019, assim como a coleta e tratamento de esgoto, que hoje abrange 93,5% dos moradores, diante de 89,4% há 11 anos.

Com 1.337 empregos criados em dezembro, a cidade registrou um saldo positivo de vagas pelo sexto mês consecutivo em 2020. A remuneração média é de 2,8 salários mínimos. A atração de investimentos e empregos será cada vez mais pautada por bons indicadores de desenvolvimento. No final, uma coisa leva a outra: qualidade de vida que traz investimentos. E investimentos – públicos e privados – que geram qualidade de vida.





Por Carla Aranha - Exame e pesquisa Macroplan


Quer saber mais e conversar sobre, chame a gente no whatsapp.



4 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo